E quando você acha que o pior já passou...

Quando eu saí do armário, há 5 anos e pouco atrás, as coisas aqui em casa desandaram. Era um tal de briga por isso, briga por aquilo, pai ofendendo a namorada, grosseria pra todos os lados, palavras cortantes como diamante, enfim...
Depois de 4 anos, finalmente as coisas estavam funcionando. A namorada (outra, agora) vem aqui em casa todos os dias, meus pais a adoram, convidam para almoços, festas, dia a dia mesmo.
Aí você pensa: ta... tudo muito bem, tudo muito bom, mas e aí?
Bom, e aí que meu irmão do meio resolveu jogar às claras com meus pais também. Trouxe o peguete/namorado/ficante aqui em casa. Um menino de 16 anos, muito simpático, educado, com a voz linda.
Tá... tudo bem né?
Claro que não. Aparentemente, pros meus pais, eu ser sapatão é aceitável. Meu irmão ser gay, não.
Segundo minha mãe, é porque mulher não tem tanto problema, mas ela acha "utrajante um homem fazer sexo com outro homem, aquilo foi feito pra sair coisa, não entrar".
É... uma das faces do velho preconceito.
E aí que meu irmão não entende que ele precisa, assim como eu fiz, dar tempo ao tempo. Não pode querer esfregar nada na cara dos meu pais, ou tentar medir forças. Ele tem que sair do conforto dele para poder mostrar aos meus pais o quanto ele vale.
A partir do momento em que meus pais virem quando ele vale, quão responsável é (ele e o namoradinho), quão independente e maduro, as coisas se aquietam.
Foi assim comigo, e não duvido que possa acontecer com eles.
E é como diz minha mãe: " o homem é produto do meio", ou seja, nada que, com o tempo, eles não acabem se acostumando.

Comentários

Mônica Nassar disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Mônica Nassar disse…
"nada que, com o tempo, eles não acabem se acostumando."

Espero muito que isso seja verdade, que aqui em casa meus pais também se "acostumem" com a idéia.... To cansando dessa vida! Só quero ir embora!
Ana Meca disse…
Eles acabam mesmo se acostumando! Os meus precisaram de um ano...há uns bons anos atrás! Depois entre perder uma filha ou ganhar outra... escolheram ficar com as duas.
Felizmente a minha irmã deu-lhes o neto que queriam!
É mesmo preciso deixar que se acostumem à ideia.