Carta a um Heterossexual.
Hoje a Lena me mostrou um texto que um senhor heterossexual resolveu mandar ao site Parada Lésbica. Está no endereço: http://paradalesbica.com.br/2009/04/opiniao-de-um-hetero/
A carta foi publicada no site em abril, mas há gente comentando até hoje, e como eu li hoje, resolvi comentar também. Segue abaixo:
"Prezados Mactire e meninas do Parada Lésbica,
Gostaria de iniciar minha fala dizendo que entendo, em parte, o sentimento do nosso colega. Entendo que ter sido hostilizado tenha te motivado a se fazer ouvir. Tenho que admitir, no entanto, que ainda que seu texto venha a ofender várias meninas que acessarem essa coluna, ele foi bastante diplomático, até. Diga, rapaz, quantas vezes você foi hostilizado por esses chamados “grupos de menininhas decepcionadas”? E o que elas disseram? Que não acreditam que possa haver amor entre pessoas de sexos opostos? Que um cara nunca vai fazer uma mulher gozar como uma mulher consegue fazer? Que não pode haver cumplicidade entre pessoas de sexo oposto? Que são muito diferentes?
Agora, imagine só que esses “grupos de menininhas decepcionadas” escutam esse tipo de coisa praticamente todos os dias. E, meu caro, não se engane. Nunca é de maneira polida como o senhor escreveu na carta em questão. Ouvimos aos gritos, na rua. Ouvimos enquanto apanhamos de caras machistas. Ouvimos enquanto somos ESTUPRADAS por estes caras. Ouvimos agregados a sentimentos de ódio, decepção, raiva e tristeza, por parte de nossos pais e mães, nossos familiares, AMIGOS, chefes, subordinados, pessoas que nunca nos viram na vida.
Além do mais, Mactire, você está falando de meninas novas, que provavelmente ainda vão construir sua identidade, seja no mundo lésbico, seja no mundo hetero. Elas estão testando várias formas de abordagem, vários tipos de pensamento, várias formas de viver. E, acredite, você não foi hostilizado de graça. Pode ter parecido, da maneira que você recebeu, mas elas provavelmente estão apenas reproduzindo o que sofreram. Não adianta, a maioria das pessoas é reprodutora das experiências pelas quais passaram. Principalmente quando mais novas, que não conseguiram a maturidade para alcançar o senso crítico, e a partir de suas experiências aprenderem a agir por conta própria.
De certa maneira, sua carta peca um tanto no quesito senso crítico. Vejo que você até se esforça, mas está apenas reproduzindo um tipo de pensamento que, infelizmente, é o que gera todo o preconceito contra as minorias. Querido, você tratou apenas de lésbicas. E lésbicas que você TEM CERTEZA que sonham em casar com um homem que as façam felizes. Quer dizer, então, que uma mulher não pode ser feliz sem um homem? Mas e os gays? Eles têm um homem, então eles não precisam de uma mulher pra serem felizes? É. É o que boa parte das pessoas acredita. E é por isso que o preconceito ABERTO com os gays é maior que com as lésbicas. Porque, no fim das contas, é senso comum que as mulheres larguem umas às outras para casarem com seus príncipes encantados. Afinal, uma mulher TEM que ser mãe, TEM que ser dona de casa (mesmo que trabalhe fora), e ela TEM que satisfazer o senhor da casa. E isso ela não faz com uma mulher, né? Nem se a mulher dela for uma butch-macho-escroto, igual a um monte de cara que a gente conhece por aí.
Para finalizar, gostaria de pedir, encarecidamente, que o senhor leia com muito cuidado o que eu escrevi. Pense a respeito. Procure, vá atrás. Como já sugeriram nos comentários, converse. Mas antes, abra sua cabeça. Tente deixar esse estereótipo de “menininha decepcionada” de lado, relativize. E, tenha sempre em mente que, se elas não acreditam no amor que você tem pela sua namorada, é porque antes alguém não acreditou no amor dela pela namorada dela.
Espero que essa resposta possa servir não só para você, mas para muitas mães, pais, irmãos, colegas de trabalho e pessoas na rua que pensam senão igual, mas de forma semelhante a você, Mactire.
Gostaria de iniciar minha fala dizendo que entendo, em parte, o sentimento do nosso colega. Entendo que ter sido hostilizado tenha te motivado a se fazer ouvir. Tenho que admitir, no entanto, que ainda que seu texto venha a ofender várias meninas que acessarem essa coluna, ele foi bastante diplomático, até. Diga, rapaz, quantas vezes você foi hostilizado por esses chamados “grupos de menininhas decepcionadas”? E o que elas disseram? Que não acreditam que possa haver amor entre pessoas de sexos opostos? Que um cara nunca vai fazer uma mulher gozar como uma mulher consegue fazer? Que não pode haver cumplicidade entre pessoas de sexo oposto? Que são muito diferentes?
Agora, imagine só que esses “grupos de menininhas decepcionadas” escutam esse tipo de coisa praticamente todos os dias. E, meu caro, não se engane. Nunca é de maneira polida como o senhor escreveu na carta em questão. Ouvimos aos gritos, na rua. Ouvimos enquanto apanhamos de caras machistas. Ouvimos enquanto somos ESTUPRADAS por estes caras. Ouvimos agregados a sentimentos de ódio, decepção, raiva e tristeza, por parte de nossos pais e mães, nossos familiares, AMIGOS, chefes, subordinados, pessoas que nunca nos viram na vida.
Além do mais, Mactire, você está falando de meninas novas, que provavelmente ainda vão construir sua identidade, seja no mundo lésbico, seja no mundo hetero. Elas estão testando várias formas de abordagem, vários tipos de pensamento, várias formas de viver. E, acredite, você não foi hostilizado de graça. Pode ter parecido, da maneira que você recebeu, mas elas provavelmente estão apenas reproduzindo o que sofreram. Não adianta, a maioria das pessoas é reprodutora das experiências pelas quais passaram. Principalmente quando mais novas, que não conseguiram a maturidade para alcançar o senso crítico, e a partir de suas experiências aprenderem a agir por conta própria.
De certa maneira, sua carta peca um tanto no quesito senso crítico. Vejo que você até se esforça, mas está apenas reproduzindo um tipo de pensamento que, infelizmente, é o que gera todo o preconceito contra as minorias. Querido, você tratou apenas de lésbicas. E lésbicas que você TEM CERTEZA que sonham em casar com um homem que as façam felizes. Quer dizer, então, que uma mulher não pode ser feliz sem um homem? Mas e os gays? Eles têm um homem, então eles não precisam de uma mulher pra serem felizes? É. É o que boa parte das pessoas acredita. E é por isso que o preconceito ABERTO com os gays é maior que com as lésbicas. Porque, no fim das contas, é senso comum que as mulheres larguem umas às outras para casarem com seus príncipes encantados. Afinal, uma mulher TEM que ser mãe, TEM que ser dona de casa (mesmo que trabalhe fora), e ela TEM que satisfazer o senhor da casa. E isso ela não faz com uma mulher, né? Nem se a mulher dela for uma butch-macho-escroto, igual a um monte de cara que a gente conhece por aí.
Para finalizar, gostaria de pedir, encarecidamente, que o senhor leia com muito cuidado o que eu escrevi. Pense a respeito. Procure, vá atrás. Como já sugeriram nos comentários, converse. Mas antes, abra sua cabeça. Tente deixar esse estereótipo de “menininha decepcionada” de lado, relativize. E, tenha sempre em mente que, se elas não acreditam no amor que você tem pela sua namorada, é porque antes alguém não acreditou no amor dela pela namorada dela.
Espero que essa resposta possa servir não só para você, mas para muitas mães, pais, irmãos, colegas de trabalho e pessoas na rua que pensam senão igual, mas de forma semelhante a você, Mactire.
Deixo aqui meus sinceros desejos de felicidades a você e sua namorada, e às minhas colegas do Parada e suas digníssimas."
Comentários
Beijoooos
=***
amo!
;*
ps: foi com o email da sala mesmo, hehe. beijo, amor!